sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Casamento

Ao ler o blog da S. fez-me lembrar deste assunto, casamento!

Para muitos o casamento é um acto religioso, deve ser respeitado, é uma união de Deus e uma vez unidos por Ele não poderão ser separados (Lucas corrige-me se estiver errada)!
Eu nunca vi o casamento como algo religioso, vi apenas como um passo que o casal dá para algo maior, como se a relação fosse um grupo de patamares e a certa altura houvesse necessidade de subir mais um degrau. Como se o casamento os unisse mais.
Neste momento penso nisso assim mas a verdade é que para mim em tempos o casamento era um papel assinado por duas pessoas que juram algo que mais tarde não cumprem.

Eu já me casei, já me divorciei e sei que casei pelos motivos errados. Se fosse hoje não tinha casado e tinha-me juntado primeiro. A razão de saber que os motivos foram os errados não é pela ruptura do mesmo, nem mesmo por ter terminado, mas sim porque o casamento neste momento para mim tem uma vertente acima dos motivos pelo qual dei aquele passo.
Naquela altura o casamento foi uma fuga e ao mesmo tempo um favor à família porque não nos queriam apenas "juntos", e novos como éramos demos esse passo.

Quando me divorciei jurei para nunca mais, que casar nem pensar, que era só um papel e que o melhor era juntar-me. No momento da separação cada um ia à sua vida e pronto, sem chatices, sem confusões, sem leis e sem papeis onde uma assinatura decide a diferença entre divorciado e casado. Pensando bem nesse assunto... podemos assinar um papel que nos intitula divorciados, mas quem nos tira do peito aquela pessoa de quem nos separámos? Aquela que marcou ali o seu lugar? (não foi o meu caso, mas é o caso de muita gente)

Hoje, passado quase 3 anos de divorcio, penso de forma diferente. A idade muda-nos, a forma de ver a vida muda,  as peripécias  do nosso caminho faz-nos mudar o rumo e a visão do que nos rodeia!

Se fosse hoje eu casava-me de novo, mas de uma forma completamente diferente do que foi o meu primeiro casamento.
Primeiro juntava-me e depois mais tarde, se visse que valia a pena e que juntos pensávamos no futuro ai sim casava-me, mas não de animo leve como já foi um dia.
Neste momento para mim o casamento é mais que um papel assinado, é como se a relação ficasse mais madura e o amor já fosse tanto que precisássemos dar um passo mais à frente e só daria esse passo tendo certeza que aquela era a minha pessoa. Não para sempre porque o para sempre é até terminar mas aquela pessoa pelo qual valeria a pena dar tamanho passo. Por isso hoje diria que sim, quero voltar a casar, pelos motivos certos e não por algo do momento.
Casaria pelo amor que sentisse por ele e ele por mim, casaria pela união que tivéssemos, casaria porque com ele quereria ter uma família, e acho que o casamento é mesmo isso a confirmação do amor que se tem por aquela pessoa que escolhemos como "nossa".

E não teria uma grande festa, com tios e primos que só se vê de anos a anos em casamentos ou funerais.
Seriam apenas os importantes, aqueles que todos os dias faziam parte da nossa vida, amigos, família mais chegada, apenas e só eles, aqueles que ao longo daquele tempo testemunharam o nosso "caminho" e fizeram parte da nossa odisseia!
Esses sim sei que iriam completar aquele dia que por si só é importante.
Os padrinhos seriam as pessoas mais importantes da minha vida, pouco importando se tinham dinheiro ou não para "os pagamentos" da praxe.

O casamento é mesmo isto... a confirmação de um amor!

22 comentários:

Confuskos disse...

"(...) E não teria uma grande festa, com tios e primos que só se vê de anos a anos em casamentos ou funerais. (...)" - o casamento tradicional no seu melhor!!

Um dia, num desses casamentos, chegando ao fim da noite, "apresentei-me" ao noivo antes de sair!! Ele já bem bebido, perguntou-me quem eu e no fim exclamou:

"Ahhhh!! És daqueles primos que só vemos nos casamentos e funerais!! Então, vá bebe aqui um copo comigo!!" :P

Hoje em dia já sou crescido e posso evitar esses casamentos, mas ás vezes são em sítios fixes, a comida é boa e vão sempre 5 ou 6 primos que a malta gosta de reencontrar! "A idade muda-nos"! :)))

Beijinho*

Menino De Sua Mãe disse...

gosto da tua perspectiva sobre isto.

Lucas disse...

Lois Lane, o casamento é uma representação social daquilo que é a nossa relação com o Criador.

Com Deus nós não nos "juntamos": ou casamos ou não estamos juntos. Não há meio termo.

Com as esposas tem que ser assim.

Outra coisa: como já falamos, a coabitação é má para a mulher e para os filhos. A infidelidade, a violência doméstica e a falta de verdadeiro compromisso é maior entre os "juntos" do que entre os casados.

EU sinceramente acho que viver junto é um desrespeito para a mulher visto que o homem tem tudo o que quer dela sem ter qualquer tipo de compromisso.

Quando as pessoas vão viver juntas, elas entram com visões diferentes. Enquanto a mulher entra num união como preparação para o casamento, o homem regra geral vê isso como forma de ter sexo sempre à disposição.

Isto é degradante para as mulheres.

*Filipa disse...

Lucas permite-me que discorde. Namorei 2 anos, vivi junta 2 anos e estou casada pela igreja ha ano e meio e temos uma filha de 6 meses. Para mim o casamento foi tudo o que a Life comentou. A confirmação perante a familia e os amigos do nosso amor e a celebração para nós de estarmos juntos. Na minha relação entramos os dois na nossa casa com o mesmo intuito. Ver se funcionavamos juntos e se tinhamos os mesmos objectivos de vida futura. Tinhamos, avançamos para o casamento. E convenhamos homem que casa e/ou mora junto tem muito menos sexo ha disposiçao que um que seja solteiro e ande com x ou c y... Mas isso sao opinioes!

Lucas disse...

Filipa,

Se souberes inglês, lê este artigo que explica de forma detalhada o que eu disse. Vais ver que a coabitação não é boa para ninguém.



Outra coisa: o facto de a coabitação ter (até agora) funcionado contigo não significa que no geral el seja má.

Por exemplo se eu te disser "Em África passa-se fome"; tu não anulas isto se me disseres "Ah, mas eu conheço duas pessoas que não passam fome!".

Vês o que eu quis dizer?

Cumps

Menino De Sua Mãe disse...

Lucas,

Respeito a tua posição, como respeito a de toda a gente.

No entanto, a minha posição sobre a matéria é diferente (o que é normal, ainda bem que há liberdade de opinião), e há alguns pontos em que não concordo, em absoluto, com o teu ponto de vista.

A primeira das minhas discordâncias é com uma frase que me arrepiou, por a achar errada e por achar que revela, ela sim, uma visão distorcida e de pouco respeito pela dignidade das pessoas: "Enquanto a mulher entra num união como preparação para o casamento, o homem regra geral vê isso como forma de ter sexo sempre à disposição."

É que nem vou dizer que nem todas as mulheres entram numa união como "preparação para o casamento". Não, uma união de facto não é "um CPM com aulas práticas". É, pode ser, uma opção de vida tão séria e tão prolongada como um casamento se pretende que seja.

Mas o que me choca é esta ideia de que "o homem vê isso como forma de ter sexo á disposição". Acredita: um homem que só quer sexo "à disposição" não se junta com ninguém, fica solteiro e faz a sua vida como quiser. Quando um homem decide viver com uma mulher, partilhar uma vida e uma casa e uma cama com uma mulher, fá-lo porque quer viver um dia-a-dia e um projecto em conjunto.

Se pensar muito no assunto, compreendo que algumas pessoas, espartilhadas por uma moral estritamente católica-apostólica-romana e que para ter sexo sem cair em pecado tenham de se casar primeiro, achem que os que vivem em união de facto "são uns pecadores que só se juntam para fornicar como coelhos de manhã à noite". Pois estão errados. E de mais que uma maneira.

Mas deixa-me comentar o artigo que linkas, do Dr. Patrick Schneider II, médico, católico, conservador, candidato derrotado à Câmara de Representantes pelo Partido Republicano em 2002, e que procura resumir em 10 pontos o que considera serem os malefícios da união de facto:

(segue no próximo comentário...)

Menino De Sua Mãe disse...

(continuação do comentário anterior...)


O ponto 1 é meramente estatístico.

Mas logo no ponto 2 se diz que "a coabitação é instável", e que 1/6 das relações em que há coabitação duram menos de 3 anos. Mas isto não significa nada. Quanto duram os casamentos, se sabemos que houve em 2010 68.7 divórcios por cada 100 casamentos celebrados? Não deveríamos então pensar "ainda bem que não se casaram, senão iam apenas engrossar a estatística dos divórcios"?

O ponto 3 diz-nos que se divorciam 38% dos que coabitaram antes do casamento, e apenas 21% dos que o não fizeram. Mas é uma estatística falaciosa, porque não leva em linha de conta a propensão destes casais para aceitar o divórcio como instituição. Parece-me um caso nítido de "cum hoc ergo propter hoc". É que o mesmo argumento que os leva a não querer a união de facto pode bem ser o que os leva a não aceitar divorciar-se, mesmo em casamentos que não funcionem e que levariam a divórcios se não fosse pelas convicções morais dos conjuges.

O ponto 4 tem alguma validade, especialmente nos casos de separação posterior: a lei portuguesa obriga a haver regulação de poder paternal nos casos de divórcio, com fixação de prestações de alimentos, se aplicáveis, para os filhos. Uma união de facto, não requerendo um procedimento legal que leve à sua dissolução, pode dar origem, ao desagregar-se, a uma situação em que o progenitor com os filhos a cargo tem de processar civelmente o outro de forma a que sejam fixadas as pretações de alimentos. Pode ser um pesadelo. Mas também pode ser um pesadelo um casamento - ou uma separação de facto - em que essa contribuição e esse envolvimento também não ocorra...

O ponto 5 é outro "cum hoc, ergo propter hoc". O risco de doenças sexualmente transmissíveis é maior porque os casais vivem em união de facto? Absurdo. O risco de doenças sexualmente transmissíveis é sim maior quando há comportamentos sexuais promíscuos. Isso sim. E talvez quem tenha esse tipo de comportamentos (porque já os tinha e não quer deixar de os ter) acabe por viver em coabitação com alguém e por não se casar. Isso justifica perfeitamente a estatística. Mas não significa que se decidir viver com alguém vá apanhar sífilis, nem que o acto do casamento diminua o risco de DST. Se alguma coisa o diminui, é a fidelidade. Vá lá, e o preservativo. Não é o casamento só por si.

O ponto 6 é uma mistura. O uso de drogas, dizem, também é maior nas uniões de facto. Pode ser é ao contrário, não é? Pode ser que quem faça do abuso de drogas e de álcool um modo de vida também acabe por se juntar em vez de se casar, não é? E que a percentagem de cidadãos que, por convicções, não bebe nem usa drogas nem coabita antes do casamento (leia-se, e.g., os católicos strictu sensu) taambém influenciem a estatística, não? Isso geraria outra falácia gira, a de tomar a causa e tentar vê-la como consequência...
Já a depressão é uma questão diferente. Não há indicadores que nos digam que os depressivos se casam menos que os não-depressivos. E a estabilidade que o casamento dá em termos de explicitação de intenções e de manifestação de intenção de um compromisso persistente pode ajudar algumas pessoas com maios tendência para a depressão por via de perspectivas de futuro instáveis. Mas mesmo isso não é garantido.

O ponto 7 também é uma falácia interessante. Quem coabita tem 78% menos rendimento que quem casa? Ou quem tem menos rendimento e vive de uma forma mais precária acaba por viver também em relações precárias, de uma coabitação temporária que não é de todo aquilo de que estamos a falar? E que comparação se faz com as famílias monoparentais? nenhuma? Ah, pois é, não dá jeito...

(segue no próximo comentário...)

Menino De Sua Mãe disse...

(continuação do comentário anterior...)

O ponto 8 tenta outra vez correlacionar a taxa de pobreza com a união de facto. è o mesmo argumento do ponto 7. Mas ainda lhe adiciona outra coisa curiosa: os filhos das famílias em união de facto são privados de uma família alargada. Pois só se fôr na experiência do articulista. Ou numa comunidade onde a união de facto seja tão mal-vista que o casal seja "banido" da família alargada, do género "enquanto viveres em pecado com essa Messalina não me apareças à frente". Quero acreditar que nas famílias normais com pessoas normais as crianças não deixam de ver os avós, os tios, os primos pelo facto de viverem em união de facto e não serem casados.

O ponto 9 cita um estudo que diz que as "crianças sem pai" são mais propensas a tomar parte em actividades ilícitas. Acredito. Quer o pai ausente tenha sido casado com a mãe da criança ou quer tenha com ela vivido numa união de facto, ou nenhuma destas coisas...

E o ponto 10 traz-nos uma estatística interessante sobre violência doméstica e uniões de facto. Mas tem uma base falaciosa, novamente. Convém lembrar que nos Estados Unidos, ao contrário da Europa, a união de facto ou a mera coabitação por períodos de tempo reduzidos é mais aceitável e usual e zonas de maior pobreza, de maior dificuldade de vida, onde há mais stress e mais drama. E a pobreza, as dificuldades, o stress são rastilhos bem mais fortes para os maus tratos que a coabitação.


Finalmente, é impossível não notar que o artigo fecha com uma citação do papa Bento XVI que na exortação apostólica Sacramentum Caritatis fez questão de frisar que na sua óptica, "valores fundamentais como o respeito e defesa da vida humana desde a concepção até à morte natural, a família fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher, a liberdade de educação dos filhos e a promoção do bem comum em todas as suas formas. Estes são valores não negociáveis."

Eu, pessoalmente, acho que enquanto posições normativas sobre a forma de construir uma família se sobrepuserem, na boca de quem tem poder para o dizer, aos valores que essa família deve transmitir, esse não é um caminho por onde eu queira ir.



Por isso reitero a minha posição, reforçando que nada disto significa que não aceite a de outros: a coabitação temporária, os namorados-que-vivem-juntos, a união de facto, o casamento, tudo são opções válidas e só a cada um compete escolher a que quer tomar.

Informar sobre os potenciais riscos ou adversidades de cada uma delas é aquilo que os amigos fazem, e aquilo que fazemos, uns aos outros, como cidadãos activos e participantes. Mas a informação funciona em ambos os sentidos: uns apresentam argumentos, os outros rebatem-nos. É como funciona a liberdade de expressão, o debate sem dogmas, o crescimento intelectual. Que para mim, depois da vida, devem ser assim das coisitas mais importantes. :)

Lucas disse...

MSM,

Eis aqui a minha resposta.


Lois Lane,

Quando puderes, dá uma vista de olhos nestes dois textos:

1. Coabitação e violência doméstica

2. Coabitação é degradante para a mulher

Menino De Sua Mãe disse...

Lucas, obrigado pela tua resposta, que lerei com atenção e comentarei em sede própria :)

Lucas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas disse...

Bem, está a correr mal:

http://adalges.blogspot.com/2012/01/coabitacao-e-degradante-para-mulher.html

Lucas disse...

MSM,

Não te dês ao trabalho de responder a tudo senão entramos numa roda viva sem finalidade.

Responde-me só a isto: estando tudo em igualdade de circunstâncias, qual é que preferias para a tua filha: o casamento oficial ou a mera coabitação?

Eu para a minha filha quero sempre que saia de casa casada e com um homem que demonstra querer um compromisso sério - e não "testes" e experiências.

Menino De Sua Mãe disse...

Lucas,

Não quero fugir à pergunta. Mas, em igualdade de circunstâncias, dependeria das circunstâncias concretas. Claro que preferiria que a decisão de viver em conjunto com alguém se alicerçasse (também) numa convicção de convivência sã e de durabilidade.

Mas não sei se o facto de partir para um casamento com alguém com quem nunca passaste 24h por dia durante tempo significativo, que não sabes como reage nas adversidades, que não sabes de que forma te vai aceitar e de que forma tu o vais aceitar, não sei se isso não me assusta mais do que a coabitação.

Sinceramente, preciro que a minha filha saia da minha casa para a casa dela, que consiga montar uma vida própria e independente e dela, sem que isso envolva ir viver com alguém, casada ou não. Prefiro que ela crie esta base, e viva sozinha, e aprenda quem verdadeiramente é quando não tem de viver segundo as regras de ninguém. E que depois tome as suas decisões. Estarei com ela para a apoiar e para lhe falar do que sei, do que já vi, do que penso, sobre tudo o que ela quiser.

Estou a cem por cento em concordância contigo e prefiro que se façam as coisas com consciência e empenho, e não que se embarque em "experiências" das quais se desista à mínima contrariedade. Mas acredito que nas circunstâncias certas viver com alguém (mesmo sem casar) pode ser tão sério e representar um compromisso tão grande como o casamento.


Há algo de que ainda não falámos mas que acho que tem tudo a ver: da profunda crise de valores que existe na nossa sociedade. Valores fundamentais como a dignidade e o respeito, por nós e pelo outro, estão, em largas fatias da sociedade (não em todas) muito degradados. Ganhámos liberdade, abertura, mas não sabemos, enquanto indivíduos, lidar inteiramente com isso.
O casamento enquanto decisão a priori (na altura em que casavas sem saber lá muito bem com quem casavas, quando os namoros eram longos mas superficiais por vezes), obrigava a que a construção da relação ocorresse já dentro do casamento, por vezes em contextos sociais onde a dissolução do casamento era inviável. E eram, nessa altura, um conjunto de valores morais de base que permitiam que esta relação entre pessoas que mal se conheciam se fosse aprofundando e fosse funcionando. Havia um investimento no casamento, feito tantas vezes à custa das liberdades individuais, da troca de opções próprias por opções do outro ou por opções conjuntas. Creio que é isto que as pessoas querem, cada vez menos, fazer. Se uma relação as constrange e as obriga a aceitar, a engolir em seco, a mudar, começamos a pôr coisas na balança. E sem o peso da "permanência" do casamento e da "superioridade" dos valores morais, é mais fácil que a decisão seja "egoísta" e leve ao fim da relação. O casamento talvez ajude a pôr um pouco mais de peso do lado "vamos lutar para manter isto que temos" da relação. Mas não o faz também o facto de ter uma casa comum, filhos comuns, uma vida em comum?

*Filipa disse...

Como nao adianta responder a tudo senão nunca mais saimos daqui deixo só a minha resposta: Quero que a minha filha saia feliz. O compromisso sério que falas faz-se entre duas pessoas. Não são precisos papeis e desculpa se te ofendo mas nunca deves ser casado, ou entao para falares nunca deves ter amado ng ao ponto de perceberes que nao é o sacramento do casamento que te faz ter a certeza de que aquele é o teu caminho e que juntos são mais. E o amor entre duas pessoas de credos diferentes? Entre divorciados q n querem voltar a casar? Nao é valido? E como mulher e conhecedora do mundo real tambem arranjo varios estudos que provam q o viver junto é altamente positivo e recomendavel e nao é o viver em pecado que tu insinuas.

*Filipa disse...

Como nao adianta responder a tudo senão nunca mais saimos daqui deixo só a minha resposta: Quero que a minha filha saia feliz. O compromisso sério que falas faz-se entre duas pessoas. Não são precisos papeis e desculpa se te ofendo mas nunca deves ser casado, ou entao para falares nunca deves ter amado ng ao ponto de perceberes que nao é o sacramento do casamento que te faz ter a certeza de que aquele é o teu caminho e que juntos são mais. E o amor entre duas pessoas de credos diferentes? Entre divorciados q n querem voltar a casar? Nao é valido? E como mulher e conhecedora do mundo real tambem arranjo varios estudos que provam q o viver junto é altamente positivo e recomendavel e nao é o viver em pecado que tu insinuas.

Lucas disse...

Filipa,
Todos nós queremos que os nossos filhos sejam felizes, mas isso não responde à questão.

O problema é o que eu disse em cima: a coabitação, pela sua própria natureza, é uma situação precária e efémera. Claro que há excepções onde as coisas (aparentemente) correm bem, mas esses casos pontuais não anulam a montanha de evidências de vários quadrantes que demonstram que a coabitação, no geral, é má para todos, especialmente para as mulheres e para as crianças.

Outra coisa: a primeira pessoa a falar em pecado foste tu. Como tu aparentemente não partilhas da minha cosmovisão, eu apelei aquilo que eu assumo que tu acreditas, nomeadamente, dados sociológicos, estatísticas de casamento, ,taxas de violência doméstica e tudo o mais.

Se com esses dados tu não aceitas a minha tese inicial (que a coabitação não é boa). então não há qualquer tipo de evidência que te possa fazer mudar de opinião.

Lucas disse...

MSM,

Claro que preferiria que a decisão de viver em conjunto com alguém se alicerçasse (também) numa convicção de convivência sã e de durabilidade.


E compromisso, não?

Estou a cem por cento em concordância contigo e prefiro que se façam as coisas com consciência e empenho, e não que se embarque em "experiências" das quais se desista à mínima contrariedade.


Mas é exactamente isso que a coabitação é, um tempo de "análise" e "experiência".

O casamento talvez ajude a pôr um pouco mais de peso do lado "vamos lutar para manter isto que temos" da relação. Mas não o faz também o facto de ter uma casa comum, filhos comuns, uma vida em comum?

Aparentemente não, visto que as taxas de divórcio, violência e outros males sociais são maiores entre os coabitantes.

A própria natureza do "vamos testar" demonstra infantilidade e falta de maturidade. Quem ama, como tu disseste. luta por isso e demonstra-o estabelecendo um compromisso sério com a pessoa amada.

Palavras faladas leva-as o vento.

Uma coisa estás certo: a moralidade tem decaído. Mas repara que quanto mais a moral decai, mais coabitantes há. Não será uma a consequência da outra?

Menino De Sua Mãe disse...

Lucas,

em 2010 houve em Portugal 27556 divórcios, 59.2% dos quais envolvendo casais com matrimónio celebrado de forma católica (que, se contraído com plena convicção do que se está a fazer, deveria invalidar a opção pelo divórcio...)

reitero a minha oposição a que a coabitação seja um período. é uma opção e pode ser uma opção de vida. não é necessariamente para "testes".

é um facto, há rompimento de relações nos casos de coabitação.
e há 68.9 divórcios por cada 100 casamentos (dados da Pordata).
se isso não prova que o casamento também falha, não sei o que o prova.
ou quem anda a casar também sofre de falta de maturidade?

isso que quer dizer? que o casamento também é para "testes"?

não creio que o decréscimo da moralidade seja consequência da coabitação. sei que é empírico, mas encontro valores morais diminuidos em solteiros, casados, separados, juntos.

os que se mantém casados têm valores morais mais elevados? em muitos casos, sim. mas há que ser rigoroso na análise. não têm valores morais mais elevados por estarem casados. podem é ainda estar casados por terem valores morais mais elevados.

Lucas disse...

MSM,

Eu não entendo o porquê de continuarem a atirar o Catolicismo para o meio da conversa. Alguém aqui falou em Catolicismo? Se bem me lembro, a única expressão com peso Teológico que eu disse foi ao paralelo entre Deus-homen e homem-mulher. Nenhuma palavra foi dita em defesa do Catolicismo.

em 2010 houve em Portugal 27556 divórcios, 59.2% dos quais envolvendo casais com matrimónio celebrado de forma católica (que, se contraído com plena convicção do que se está a fazer, deveria invalidar a opção pelo divórcio...)

Sim, e?

reitero a minha oposição a que a coabitação seja um período. é uma opção e pode ser uma opção de vida. não é necessariamente para "testes".

Essa é a tua convicção. Nós aqui neste blogue já vimos pelo menos duas pessoas que antes de casar passaram ou passariam por um período de "teste" e "experiencia" e que só depois entrariam no casamento. É essa falta de compromisso e precariedade que tornam a coabitação algo prejudicial a longo prazo.

é um facto, há rompimento de relações nos casos de coabitação.
e há 68.9 divórcios por cada 100 casamentos (dados da Pordata).
se isso não prova que o casamento também falha, não sei o que o prova.


Mas alguém disse aqui disse que não há divórcios (excessivos) nos casamentos actuais? A comparação é entre coabitação e casamento e não entre casamento e perfeição (nunca existirem divórcios).

Todos os argumentos que fizeres para a pouca confiança que as pessoas actuais tem em relação ao casamento só fortalece o meu argumento, visto que é nesse ambiente de decréscimo de moralidade que a coabitação está a aumentar.
Todos sabemos que correlação nem sempre implica causação, mas neste caso a correlação é inquestionável.

O mais irónico é que os casamentos actuais onde as pessoas entram no compromisso sem coabitação prévia e sem experiência sexual prévia, duram mais tempo do que os coabitantes que querem "experimentar" a "compatibilidade" e/ou "viver junto" visto que "assinar papéis" não muda nada.

Aquilo que as mulheres e os homens modernos assumem ser uma forma de apurar melhor se o parceiro está ao mesmo nível de compromisso é, na verdade, o exacto oposto do que é necessário fazer para se ter um casamento logo e realizador.

Menino De Sua Mãe disse...

Lucas,

foste tu quem trouxe o argumento de que a coabitação é má porque é precária, portanto se dissolve facilmente.
obviamente que este "facilmente" e o "precário" é por comparação com o casamento, que pelos vistos é precário também.

mas a essência do argumento, e o ponto que estamos efectivamente a discutir, é esta:

não sei se concordarás comigo que um casamento é algo pensado e preparado. se as pessoas têm dúvidas, não o fazem.

já uma coabitação pode ser algo que se faz mesmo com dúvidas, para "ver como corre".


vamos tentar encontrar aqui um compromisso:
acreditas que existam casais que partam para uma coabitação tendo antes feito uma reflexão, tendo pensado e preparado esta decisão, como o fariam para um casamento? ou achas que "os que pensam e preparam casam mesmo, se se juntam é porque ainda tem receio de que não funcione, ou não prepararam, ou não pensaram"?


é que me parece que estamos aqui a meter no mesmo saco coisas que podem ser diferentes.

desculpa que volte ao casamento católico, mas preciso de o usar como exemplo. há casamentos celebrados segundo o rito católico entre pessoas crentes, que celebram e vivem o casamento de uma forma intensa e segundo os mandamentos da igreja. mas também há quem se case "pela igreja" apenas como rito formal, para ter uma cerimónia mais bonita, para agradar aos pais, mas depois não viva minimamente em conformidade com o que a igreja preconiza.

eu, pessoalmente, e por mera dedução empírica, creio que parte substancial dos divórcios nos casamentos católicos vêm deste segundo grupo de pessoas, das que se casam "pela igreja" "porque é giro" ou porque "os meus pais queriam".

os outros, os que são efectivamente crentes e vivem pelas leis da igreja, representam, creio, uma fatia bastante menos significativa dos divórcios.


faço agora o paralelo para os cenários de convivência.

aqueles que são pensados e ponderados conduzem a relações mais estáveis e duradouras.

aqueles que são feitos com dúvidas, sem ponderação e sem planeamento, esses sim podem corresponder a fases de "testes" que correm mal e acabam rápido. mas esses não passam, muitas vezes, de namoros em que se vive em casa do outro, e não devem ser confundidos (mas são, inclusivé nas estatísticas) com uniões de facto pensadas, deliberadas, e convictas.

é que há muitas razões possíveis para não querer casar. e nem todas têm a ver com dúvidas sobre o que se sente em relação à outra pessoa, nem com o nível de compromisso que se pretende.

Lucas disse...

MSM,

foste tu quem trouxe o argumento de que a coabitação é má porque é precária, portanto se dissolve facilmente.

Isso é uma forma muito simplista de ver o argumento que dei (baseado em estudos e dados sociológicos).

A coabitação é má pela própria natureza do que ele é, pelos efeitos que daí saem, e especialmente quando comparados com o casamento.

obviamente que este "facilmente" e o "precário" é por comparação com o casamento, que pelos vistos é precário também.


Com os divórcios dentro do casamento há uma violação do compromisso feito aquando do casamento. Não é a instituição que falha, mas sim as pessoas que falham.

Na coabitação, é a próprio instituição que promove a precaridade ao conferir aparência de "casamento" sem que haja qualquer tipo de vínculo. As pessoas que traem, espancam, ou abandonam a coabitante, estão a agir de acordo com essa instituição visto que esta não é vinculativa de qualquer forma ou feitio.


Repito o que disse: a coabitação é má para a mulher e para os filhos. A infidelidade, a violência doméstica e a falta de verdadeiro compromisso é maior entre os "juntos" do que entre os casados.

acreditas que existam casais que partam para uma coabitação tendo antes feito uma reflexão, tendo pensado e preparado esta decisão, como o fariam para um casamento?

Acredito que há pessoas que ponderam varios factores antes de entrarem num compromisso, mas o que elas não entendem é que ao seguirem a via da coabitação, estão a demonstrar que não estão prontas para um compromisso.

Portanto a coabitação é uma ilusão.

Isso é a mesma coisa que perguntares:

"acreditas que existam casais que partam para uma vida de sexo em grupo com vários desconhecidos potencialmente portadores de DST, tendo antes feito uma reflexão, tendo pensado e preparado esta decisão, como o fariam para um casamento monogâmico?"

huh, claro que acredito, mas o próprio acto de fazer sexo em grupo e com desconhecidos demonstra falta de maturidade (e irresponsabilidade).

Claro que isto é uma comparação extrema, mas serve para demonstrar que o "reflexões" e "ponderações" são irrelevantes se a prática que vai ser levada avante é destrutiva.