quarta-feira, 21 de janeiro de 2015






Adoro aqueles inícios de Primavera, antes de todos os atchins vindos das alergias e rinites, aqueles dias em que começam as primeiras chuvas.
Adoro quando os primeiros pingos caem na terra seca, e deixam aquele cheiro tão característico de terra molhada. Gosto de sentir aquele cheiro e retroceder vários anos, há cheiros que nos levam a lugares onde já fomos felizes. Alturas em que a inocência fazia parte de mim, em que saltar muros com os vizinhos era uma competição renhida, em que a bola fazia parte do dia à dia. Em que as unicas guerras e disputas eram ver quem chegava primeiro ao fim da rua, ou quem pedalava mais rápido na bicicleta. E as medalhas, eram joelhos ou mãos esfoladas.
Alturas em que o amor reinava numa casa quase vazia de gente, mas ao mesmo tempo tão cheia de sorrisos e carinhos. 
Numa casa com cheiro a bolachas de baunilha.  A minha avó não fazia bolachas, e naquela altura só havia bolachas maria quando o rei faz anos, mas neste momento, ao pensar como poderia cheirar aquela casa, lembrei-me de um dos melhores cheiros que existem... bolachas de baunilha, a sair do forno... 
Talvez pudesse dizer que a casa tinha o cheiro da minha avó, mas este cheiro é indefinível, é daqueles que ficam guardados em nós, que fazem parte de lembranças, que estão cravados no coração para todo o sempre, tal e qual como o amor deve ser. 
Há cheiros que nos fazem felizes...


domingo, 11 de janeiro de 2015

Há gente que cheira a verão...

O teu corpo chama o meu quando estás perto. É como se tivesses um iman que estando perto demais me puxa para ti, e tu aproveitas isso. Sabes o efeito que tens em mim.
Quando estou perto de ti apetece-me puxar-te para mim e beijar-te... às vezes os beijos roubados são os melhores.
O teu corpo chama pelo meu em gritos silenciosos, o meu corpo responde ao teu com sorrisos timidos. O teu toque provoca em mim arrepios que me fazem suster a respiração.
Peço-te que não me toques, digo-te que me fazes mal e tu no teu sorriso 531 teimas em continuar.
Suspiro quando passas os teus dedos nas minhas costas. Arrepio-me, beijo-te, provoco-te e o teu corpo responde como o meu.
Encolho-me no teu abraço. Quem te manda ter abraços assim? Desejo que aquele momento não termine nunca. A vida torna-se perfeita quando me encolho em ti e sinto o teu cheiro.
Cheiras a verão, não sei de onde retirei esta ideia, talvez venha do calor que sinto quando estás em mim. Talvez seja apenas o teu cheiro que me leve a achar isso.
Sabes a verão quando me perco nos teus beijos, o mundo começa e acaba nesses momentos. Provoco-te e tu vingas-te. Arrepio-me quando me tocas, provocas-me suspiros e arrepios na pele. Mando-te parar, sorris, beijas-me a testa e continuas a tua dança. Perco-me nela, imagino como seria a melodia dessa dança e perco-me de novo em ti.
Olho-te nos olhos, desejo que os consigas ler, olhas-me nos olhos e tento decifrar-te. Pedes-me que te leia a mente, transmissão de pensamentos dizes tu e eu fico de coração apertado sem saber o que pensar.
Passas-me a mão no cabelo, revolto e selvagem, tentas penteá-lo sem sucesso, tê-lo todo desalinhado lembra-me dos minutos anteriores, lembra-me que por uns minutos foste meu e desejo que o cabelo se mantenha sempre assim em desalinho, enquanto estiveres por perto.
Ficamos em silencio os dois, perdidos entre um entrelaçar de dedos e olhares fixos um no outro.
Poderia a vida ser mais perfeita que isto?
E eu sei que podia, se te tivesse mais vezes por perto, se me aninhasse mais vezes no teu abraço com cheiro a verão. Porque te pos a vida no meu caminho? Quem é ela para decidir dár-me o verão sabendo que no fim apenas poderei ficar com o inverno.