segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Distancia

O pai foi embora, de novo. E as despedidas cada vez custam mais.
Quando decidi seguir a gravidez para a frente tinha perfeita noção dos riscos, das dificuldades e tinha perfeita consciência que caso o pai decidisse que não queria, eu iria ser mãe solteira, iria estar sozinha, e estava preparada para isto tudo, ou achava estar.
Mas depois o pai percebeu que estar connosco fazia sentido, mesmo não sendo o melhor nesta altura, percebeu que ser pai não era um bicho de sete cabeças.
Percebeu que enquanto a barriga cresce cresce também o amor que ele sente por esta "surpresa", e no momento em que percebi que o iria ter na minha vida, e que o nosso amor fazia sentido e decidimos juntos lutar por esse amor, percebi também que todas as certezas que iria aguentar esta fase sozinha estavam a cair por terra.
Não o sinto no dia a dia, sinto-o muito no momento em que o levo à camioneta e há a despedida. E nesse momento o meu coração contrai, as lágrimas caem sem forçar, e sim sinto-me sozinha.
E penso em tudo o que gostaria de partilhar com ele, que partilho, mas não da mesma forma. Queria que ele tivesse visto a primeira vez que a Inês (sim é o nome da nossa surpresa) deu um pontapé e toda a minha barriga gelatinosa se mexeu. Queria que tivesse sentido o primeiro pontapé "cá fora" no mesmo dia que eu senti, ali a meu lado, mas não foi possível.
E todos os dias luto com isto da distancia, dias há que fico farta e cansada, outros há que penso que tudo há de dar certo um dia e teremos a nossa vida como desejamos. Mas até lá, há que limpar lágrimas, remoer saudades, dizer "amo-te" a 300km de distancia, e esperar sempre pelo próximo dia que estaremos juntos.

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